O que é e quando acaba a Piracema?

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A piracema é um fenômeno que acontece com diversas espécies de peixes em todo o mundo – e deve ser respeitado pelos pescadores, assegurando a continuidade dos peixes para os próximos anos e gerações futuras.

Quer entender melhor sobre a piracema? Siga a leitura deste conteúdo!

O que é Piracema?

Piracema é uma palavra que vem do tupi, da junção de dois termos: pira (peixe) e cema (subida). Assim, o termo se refere ao período em que os cardumes de peixes nadam rio acima, contra a correnteza, para realizarem a desova no período de reprodução.

Na maior parte do Brasil, a Piracema coincide com o período das chuvas do verão. Pois é quando a temperatura da água e do mar esquenta e o nível do rio sobe em até 5 metros. Junto à cabeceira dos rios, a chance de sobrevivência dos peixes recém-nascidos é maior, por isso os cardumes fazem esse movimento.

A duração da viagem depende das espécies. As piavas, por exemplo, não precisam nadar mais do que 3km por dia, já os corumbatás precisam nadar mais de 43 km em apenas um dia. Esses animais superam diferentes obstáculos, como predadores naturais, cachoeiras e, claro, os pescadores predatórios, que não respeitam o período de defeso.

Período de defeso

Como os cardumes viram alvo fácil para os pescadores, porque sobem os rios em grandes quantidades, anualmente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) publica uma portaria estipulando o período de defeso e quais espécies estão proibidas de serem pescadas nesse período.

Qual o período da Piracema?

A cada ano, o IBAMA divulga qual será o período da Piracema, que varia de região para região. 

Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, ela teve início em novembro de 2021 e se estenderá até 28 de fevereiro de 2022. Já no Mato Grosso, o período iniciou em outubro de 2021 e se estendeu até janeiro de 2022.

Para saber qual é o período da Piracema no seu estado, verifique esses dados no site do Ibama.

Assim como o período, as restrições também podem variar dependendo da bacia hidrográfica. De forma geral, é proibida todas as categorias e modalidades de pesca em:

  • lagoas marginais;
  • a menos de 500 metros de confluências e desembocaduras de rios, lagoas, canais e tubulações de esgoto;
  • até 1,5 mil a montante ou jusante de barragens de reservatórios de hidrelétricas, de mecanismos de transposição de peixes, de cachoeiras e corredeiras etc.;
  • em partes específicas de rios, de acordo com as Instruções Normativas de cada estado.

Também é proibido:

  • capturar, transportar e armazenar espécies nativas (incluindo as espécies usadas para fins ornamentais e de aquariofilia);
  • usar materiais perfurantes, como arpão, arbalete, fisga, bicheiro e lança;
  • usar animais aquáticos como isca (vivos ou mortos, inteiros ou em pedaços), exceto peixes vivos de ocorrência natural da bacia hidrográfica, oriundos de criações, acompanhados de nota fiscal do produtor;
  • usar trapiche ou plataforma flutuante de qualquer natureza.

Em alguns locais, o IBAMA permite a pesca desembarcada usando linhas de mão com anzol, caniço simples, carretilha ou molinete de pesca. Para isso, contudo, o pescador deve manter sua licença de pesca.

Onde ocorre a Piracema?

A piracema acontece no mundo todo. O que muda é a época do ano. No nosso país, a época coincide com o período de chuvas (também chamado de período de águas altas), durante o verão.

Porém, como o Brasil é um país de grandes extensões, a Piracema não costuma ocorrer no mesmo período em todo o território.

Qual a importância?

A piracema é um período extremamente importante, já que essa é a época de reprodução de diferentes espécies de peixes. É justamente por isso que a pesca é restrita nesse período, visando a preservação dessas espécies.

Afinal, como há uma grande concentração de peixes subindo para a cabeceira do rio, eles se tornam presas mais fáceis para a pesca. Com uma rede, apenas, seria possível capturar um cardume inteiro. Se centenas de pessoas usassem esse método, por exemplo, o resultado seria um grande desequilíbrio ambiental na região, colocando em risco a preservação de diferentes espécies.

Por isso, durante o período de defeso, a fiscalização é intensificada. Além dos locais onde a pesca é proibida, a Polícia Ambiental também fiscaliza os estoques de peixes in natura, resfriados ou congelados, provenientes de águas continentais, armazenados por pescadores profissionais, além daqueles existentes em colônias e associações de pescadores, frigoríficos, peixarias, entrepostos, postos de venda, hotéis, restaurantes, bares e similares.

No caso de descumprimento da instrução normativa, é possível ser multado, com valores variáveis dependendo do estado. Em alguns, esse valor pode chegar a R$1mil, além da apreensão dos instrumentos de pesca, embarcações, produtos e veículos usados na prática da infração.

Respeitar a piracema, é respeitar a vida e assegurar a continuidade de diferentes espécies e do ecossistema aquático das bacias hidrográficas do Brasil.

Gostou de conhecer mais sobre a piracema? Compartilhe essas informações com seus amigos pescadores.

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