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Como foi criado o barco a vela?

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O barco a vela foi o precursor da navegação. Graças a ele, as grandes navegações puderam acontecer, com a descoberta de diferentes países e civilizações e a transformação do mundo como conhecemos hoje.

Mas você sabe como o barco a vela foi criado? E quais são as características que se mantêm nessa embarcação até hoje? Siga conosco e descubra!

Qual a história do barco a vela?

Não se tem certeza, exatamente, de quando o barco a vela surgiu. Os primeiros dados remontam a 800 a.C., quando os Fenícios estabeleceram colônias na Espanha e no norte da África com suas Galeras ou Galés, inicialmente movidas a remo, e que ganharam uma vela quadrada em um só mastro.

Dessa forma, os fenícios conseguiram navegar a favor do vento e era preciso que o marinheiro conhecesse as direções do vento para poder realizar a travessia pelo Mar Mediterrâneo. Foi, assim, também, que surgiu a Rosa dos Ventos.

Vela quadrada

A vela quadrada foi uma das primeiras a surgir, estando presente na navegação no Mar Mediterrâneo, no Pacífico e no Índico. Essa é uma vela mais simples com duas configurações típicas e uma só verga (travessa sustentada pelo mastro) ou duas.

Esse arranjo era visto nos barcos de guerra dos fenícios, nas jangadas polinésias e nos barcos vikings, além dos pequenos juncos de carga chineses.

Além dos fenícios, alguns historiadores acreditam que os egípcios podem ter começado com a tradição do barco a vela. As primeiras embarcações tinham casco de papiro, com uma mastreação próxima da proa e a função do leme realizada por longos remos lançados na popa.

O problema com a vela quadrada, principalmente quando colocada muito próxima à proa, é que ela apenas permite a navegação a favor do vento. Assim, novas evoluções surgiram, modificando a posição do mastro e combinando várias velas quadradas. A solução, porém, apenas surgiu com a vela latina.

Vela latina

A vela latina quando combinada com cascos com resistência lateral permitia a navegação de través para o vento, uma verdadeira revolução na história da navegação. Assim, aos poucos, foram surgindo variações da vela latina.

Os únicos que não “investiram” na novidade foram os chineses. As viagens realizadas por Marco Polo mostraram que os juncos chineses usavam apenas velas quadradas e, por isso, apenas navegavam a favor do vento. 

Porém, o vento no Oceano Índico soprava, naquela época, metade do ano em uma direção e outra metade, em outra direção. Dessa forma, evitando os períodos de tufões, os chineses acabaram se saindo muito bem na navegação, mesmo com suas velas quadradas.

As caravelas portuguesas são exemplos clássicos do uso da vela latina. Por isso, elas foram capazes de navegar longas distâncias. As embarcações tinham de um a três mastros armados com velas latinas.

Aliás, em relação a Portugal, devemos salientar a importância da Escola de Sagres que, no século XV, desenvolveu a tecnologia de construção de naus e caravelas, além das técnicas de navegação e marinharia necessárias para impulsionar as grandes viagens.

Apesar das velas latinas, foi somente após a descoberta das correntes marítimas do Atlântico Norte e do Atlântico Sul que os portugueses conseguiram realizar a “grande volta do mar”.

Competições esportivas

Embora as embarcações a vela estejam presentes na história da civilização há séculos, o uso em competições esportivas é recente, datada do século 17. Foi nessa época que surgiu, na Holanda, um barco chamado “jaghtschip” que passou a ser usado em pequenas viagens internas, no transporte de carga entre cidades vizinhas e também para exercitar jovens marinheiros.

Como era uma embarcação de fácil condução e bem prática, rapidamente a novidade atraiu a atenção do rei Carlos II, da Inglaterra, que, na época, estava exilado na Holanda. Ao retornar para seu reino, Carlos II realizou melhorias no jaghtschip e criou outros tipos de barcos, dando início ao iatismo na Inglaterra e promovendo as primeiras regatas em águas britânicas.

Apesar disso, o primeiro clube de vela não é inglês, mas sim irlandês, o Royal Cork Yatch Club, que nasceu em 1720. Somente 50 anos depois, a Inglaterra teve o seu primeiro clube. Com a chegada da vela nos Estados Unidos, em 1844, a modalidade se desenvolveu rapidamente e se espalhou por todo o mundo.

No Brasil, o esporte chegou no século 19, trazido por descendentes europeus. O primeiro Iate Clube foi fundado em 1906 e a primeira prova disputada em 1935. A primeira vez que a vela foi incluída nas Olimpíadas foi nos jogos de Paris de 1900.

Quanto custa um barco a vela?

O preço de um barco a vela depende muito do tamanho e se ele é novo ou usado. Em média, essa embarcação custa em torno de R$ 100 mil.

Mas, além de comprar o veleiro, há outros custos envolvidos na manutenção desse barco. Por exemplo, com custos com:

  • Serviço terceirizado de lavagem, limpeza interna e externa semanais e limpeza subaquática do casco a cada 2 semanas;
  • Troca do cabo, corrente e ferragens da poita a cada 2 anos;
  • Custo de pintura antiaderente convencional, retirada, estadia e colocação do barco na água a cada 2 anos;
  • Revisão a cada 100 horas com troca de óleo, filtros, correias e rotor;
  • Troca dos cabos e terminais de armação a cada 10 anos.

Quem pilota a vela?

Em uma regata (competição de barco a vela), o time de tripulantes precisa trabalhar unido e, por isso, cada indivíduo a bordo tem sua função e exerce papel fundamental para o bom andamento do barco.

O timoneiro é o responsável por guiar o barco e orientá-lo em direção às manobras a serem realizadas. Esse é o tripulante encarregado do timão e, portanto, pode ser considerado o “motorista”. Dependendo do barco, ele também pode ser responsável pela vela principal usada durante toda a regata, contra ou a favor do vento. Em alguns casos, o timoneiro também é o comandante, embora isso não seja uma regra.

As pessoas responsáveis pela regulagem do barco são o navegador e o tático e os tripulantes devem ajudar onde for preciso. O tático é o que diz ao time o que é preciso fazer durante a regata, onde ir e como realizar as manobras. Ele também é responsável por se atentar para as mudanças do vento, a direção em que o veleiro está seguindo e ficar de olho nos adversários.

O navegador é o responsável por receber os boletins meteorológicos e auxiliar o comandante em relação às decisões sobre a rota. Também existe o responsável por regular os cabos e adriças que sobem e descem as velas. Quem regula a vela principal é o trimmer e ainda há o proeiro, responsável por preparar as velas no momento da troca e a secretaria, quem libera ou prende os cabos, adriças e escotas em uma manobra.

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